terça-feira, 21 de maio de 2013
SOBERBA TENTAÇÃO - BLOGUE O MUNDO ENCANTADO DOS LIVROS
"Muitas são as vezes que, talvez por preconceito, julgamos que o que é nacional não merece a nossa atenção ou respeito. Nós portugueses temos por hábito desprezar aquilo que é nosso, ridicularizar quem se esforça para cumprir os seus objectivos de vida e depois acabamos por cair em nós ao vermos o fruto do esforço daqueles que na verdade nos estão mais próximos. Não vou ser hipócrita, eu já pertenci a esse pequeno grupo. Muitas vezes dei por mim a pegar em livros de autores portugueses numa livraria e a voltar a coloca-los na prateleira com aquele pensamento mesquinho “É português!”, mas esse foi um hábito que acabei por deixar de lado desde que iniciei o blogue e fui transportada para um mundo de escolhas literárias mais alargado. Aos poucos comecei a perceber que em Portugal também havia talento, também havia quem soubesse escrever e soubesse também transportar-nos para o mundo da fantasia.
Pois bem, era a este ponto que queria chegar. Tinham sido inúmeras as vezes que tinha ouvido falar desta trilogia e confesso que quando saiu o primeiro volume fiquei um pouco reticente para o ler. Entretanto saiu o segundo volume e algo em mim pareceu despertar, não sei explicar a razão, talvez tenha sido a sinopse, talvez a capa… A única coisa que sabia era que tinha de o ler. Claro que como a curiosidade levou a melhor, acabei por conseguir ter em minha posse o segundo livro. Sei que não devia ter começado a ler antes de ter conhecimento da história inicial, mas não consegui aguardar e comecei a ler o livro há dois dias atrás.
Apesar do receio por não estar dentro da história assim que comecei a leitura fiquei logo presa nos acontecimentos que se desenvolviam. O modo de escrita da Andreia tem aquele toque mágico que nos prende a um livro e que apenas nos larga quando chegamos ao final. Achei também incrível que, apesar de ser notória a fonte de inspiração da autora, ela conseguiu transformar tudo num mundo novo e seguir as suas próprias pisadas de uma forma simples e original. Claro que há coisas que acabaram por me escapar, razão pela qual devia ter lido o primeiro volume, mas mesmo assim consegui introduzir-me facilmente na história e perceber o que se tinha passado. Dou desde já os parabéns à autora por ter conseguido tal proeza, nem todos conseguem escrever um segundo livro de maneira a que o seu leitor consiga entrar na história sem ler o primeiro.
As personagens estão muito bem definidas, com um carácter muito próprio e assim que as conhecemos acabamos por nos apaixonar por elas. Quanto ao ambiente em que se desenrola a acção, algumas vezes está demasiado descritivo aumentando a impaciência do leitor para saltar uma ou duas linhas para ler o que irá acontecer de seguida, mas penso que isso não será grave, pois não será essa a razão pela qual irá largar o livro.
Fiquei bastante curiosa em relação ao Caael, apesar de ser um anjo caído e ter algo nele que me deixa com vontade de o assassinar, há também algo que me faz pensar que talvez ele esteja a mudar gradualmente. Adorei o Ricardo, aquele vampiro sexy faz qualquer mulher pensar duas vezes e tive muita pena daquilo que aconteceu à Raquel (apesar de pensar que era inevitável). Com aquela cena final, fiquei na dúvida acerca da Marília e da identidade dela no mundo humano. Algo não bate certo e a morte do Pequeno faz-me suspeitar… mas só me resta aguardar pelo terceiro e ultimo volume da Trilogia Soberba, o qual não irei perder com certeza.
Quero dar os parabéns à editora por dar oportunidade aos nossos talentos nacionais e também à Andreia Ferreira por ter conseguido escrever esta trilogia fantástica. Esta é a prova que conseguimos rivalizar com autores internacionais que todos os dias vêm os seus livros tornarem-se bestsellers."
SOBERBA ESCURIDÃO - BLOGUE D'MAGIA
"Opinião por Ana Rita Domingos:
Para quem ainda não teve a oportunidade de ler este livro, “Soberba Escuridão” pode ser entendido como mais um no extenso universo da literatura fantástica. Desengane-se quem possa pensar assim pois Andreia Ferreira conseguiu trazer-nos um romance fantástico inovador que de certo agradará aos leitores fartos dos mesmos livros repetitivos, carregados de clichés. Em oposição a esses mesmos livros, onde predominam mundos fictícios, reinos deslumbrantes, personagens assustadoramente perfeitas e inatingíveis ao leitor comum e uma ânsia de marcar lugar nos tops com a criação de mais uma de entre tantas histórias semelhantes, esta leitura emerge-nos num “reino” muito mais palpável: Braga.
Assim, a autora conseguiu, na perfeição, criar um enredo de deleite sem ter a necessidade de viajar para longe do nosso lindíssimo país que é Portugal. Só por este aspecto, já é louvável a sua coragem por apostar num cenário acolhedor e familiar a tantos leitores portugueses. Para mais, o livro relatado na primeira pessoa, Carla, leva a que o leitor se sinta mais próximo daquilo que são os sentimentos e experiências vividas pela protagonista: uma rapariga simples, nascida e criada em Braga, uma rapariga com um fascínio pelo fantástico, é certo, devorando livros de Anne Rice, Stephenie Meyer e Stephen King. Uma rapariga que, a partir de uma fatídica noite, se vê lançada numa maratona de sensações, medos, perdas, conquistas… uma maratona que a conduz a Caael, um misterioso e arrebatador personagem que a torna ignorante e cega a todas as excentricidades que ocorrem à sua volta. O final da leitura é, simplesmente, de deixar o leitor a desejar e desesperar por mais, terminando com uma sugestiva cena que, além de chocar por ser inesperada, promete uma desejada continuação após aquilo que se pode caracterizar como uma história muito bem conseguida, muito bem idealizada.
É de congratular a editora pela aposta nesta autora e no seu romance. Uma jovem autora portuguesa que, se lhe for dada oportunidade, com a devida publicidade e divulgação a nível nacional, nos poderá encantar e seduzir para uma leitura simples, pouco elaborada, é certo, mas essencialmente viciante pelos inúmeros mistérios com que nos presenteia ao longo das suas páginas, mistérios esses que tornam quase impossível largar o livro até que seja consumido na sua íntegra. Um excelente livro, talvez mais dirigido para um público jovem/jovem adulto que me surpreendeu pela positiva e que penso ser merecedor das melhores críticas. Três palavras para esta obra: uma excelente estreia!"
Para quem ainda não teve a oportunidade de ler este livro, “Soberba Escuridão” pode ser entendido como mais um no extenso universo da literatura fantástica. Desengane-se quem possa pensar assim pois Andreia Ferreira conseguiu trazer-nos um romance fantástico inovador que de certo agradará aos leitores fartos dos mesmos livros repetitivos, carregados de clichés. Em oposição a esses mesmos livros, onde predominam mundos fictícios, reinos deslumbrantes, personagens assustadoramente perfeitas e inatingíveis ao leitor comum e uma ânsia de marcar lugar nos tops com a criação de mais uma de entre tantas histórias semelhantes, esta leitura emerge-nos num “reino” muito mais palpável: Braga.
Assim, a autora conseguiu, na perfeição, criar um enredo de deleite sem ter a necessidade de viajar para longe do nosso lindíssimo país que é Portugal. Só por este aspecto, já é louvável a sua coragem por apostar num cenário acolhedor e familiar a tantos leitores portugueses. Para mais, o livro relatado na primeira pessoa, Carla, leva a que o leitor se sinta mais próximo daquilo que são os sentimentos e experiências vividas pela protagonista: uma rapariga simples, nascida e criada em Braga, uma rapariga com um fascínio pelo fantástico, é certo, devorando livros de Anne Rice, Stephenie Meyer e Stephen King. Uma rapariga que, a partir de uma fatídica noite, se vê lançada numa maratona de sensações, medos, perdas, conquistas… uma maratona que a conduz a Caael, um misterioso e arrebatador personagem que a torna ignorante e cega a todas as excentricidades que ocorrem à sua volta. O final da leitura é, simplesmente, de deixar o leitor a desejar e desesperar por mais, terminando com uma sugestiva cena que, além de chocar por ser inesperada, promete uma desejada continuação após aquilo que se pode caracterizar como uma história muito bem conseguida, muito bem idealizada.
É de congratular a editora pela aposta nesta autora e no seu romance. Uma jovem autora portuguesa que, se lhe for dada oportunidade, com a devida publicidade e divulgação a nível nacional, nos poderá encantar e seduzir para uma leitura simples, pouco elaborada, é certo, mas essencialmente viciante pelos inúmeros mistérios com que nos presenteia ao longo das suas páginas, mistérios esses que tornam quase impossível largar o livro até que seja consumido na sua íntegra. Um excelente livro, talvez mais dirigido para um público jovem/jovem adulto que me surpreendeu pela positiva e que penso ser merecedor das melhores críticas. Três palavras para esta obra: uma excelente estreia!"
SOBERBA ESCURIDÃO - BLOGUE ILLUSIONARY PLEASURE
"Review rápida, indolor e sucinta - isso era o que vocês queriam! O mais engraçado é que hoje encontro-me extremamente bem disposta! Tive uma regência sobre direitos das mulheres afegãs, o seminário com a orientador correu bem, não fui à aula de Alemão I, devido ao cansaço, tive bateria no e-reader para ouvir música e ainda consegui chegar cedinho a casa! Estou quase a vomitar arco-íris e a pensar que a vida é bela. Bem, pensam vocês, hoje a vítima vai ser pouco cascada! Ah isso queriam vocês! Na verdade a leitura do livro meteu-me pior que estragada (começamos bem). Há uma coisa que me mete fora do sério: livros que são a porra de cópias de livros estrangeiros. No mundo de hoje, em que a criatividade é algo limitado, se não vamos meter cá para fora nada de novo, mais vale estarmos quietinhos. "Soberba Escuridão" foi-me cedido pela autora (Danke, Danke) até porque estou em retenção de custos (os livros não me aquecem o corpinho no Inverno e consegui numa troca de dois livros que estavam a empastelar a minha estante, trocá-los por dois.
O problema do livro é que é uma espécie de Hush-hush meets Twilight em Braga. A história não é nada de novo, nem nada de especial... pensando bem: não há história. Girl meets boy, boy é lindo e todo bom e tal, gaja é normal e assim meia nerd. O gajo para variar é todo bad boy e tal e o livro é todo em torno disso, ela a namorar com ele e a acontecerem coisas esquisitas. The End. Fico piurça quando vejo uma história que podia ser espectacular e bem aproveitada, tornar-se um "copy/ paste" da literatura anglo-americana. A personagem principal tem demasiado tempo de antena e o Caael é muito reduzido. Aliás, ele só está lá para ser bonito, fófinho e chamar a gaja de "Estrela" (a sério que foleirice, se um demónio me tratasse por estrela, levava-me uma chapada para ganhar tomates). Até porque supostamente o gajo é todo bad boy e cruel e tal, mas quando está com a Carla (uma toininha que parece brain dead) é todo querido e cavalheiro e misterioso. Os standards das mulheres hoje em dia estão so wrong... sou eu a única a preferir um homem seja ele gordo ou magro, com dois neurónios? Porque é que nestes livros as gajas têm de gostar sempre dos gajos só porque são lindos de morrer e misteriosos? Gente, na vida real um homem misterioso quanto muito saca-vos os rins, não vai para a cama com as meninas e tornam-se os namorados ideais super românticos...
Quanto às personagens secundárias: salva-se a Ana que é mais ou menos real, mas para variar tem de haver a porra da influência americana. Eu andei num liceu aqui em Portugal, na pública e garanto que a ideia de haver as meninas populares, todas giras, fúteis burras que nem porta não existe! Sim o high-school é uma bosta, completamente normal onde pode haver drama queens, mas a sério escritores jovens parem de imitar o americano. Lá porque eles são parvinhos lá, não quer dizer que os portugueses sejam assim. Quanto à personagem do Miguel: que inutilidade de personagem. Está lá só para ser rejeitado pela Carla e servir de vítima, de resto tanto ele como o Daniel são figurantes de 2º categoria. Aliás as personagens secundárias têm muito pouco peso, roda quase tudo à volta da Carla e do Caeel, o resto do pessoal só serve para fazer conversa e quando começam a ter um peso na narrativa, esta acaba.
O pacing da narrativa é demasiado acelerado. Embora supostamente este seja o primeiro de uma trilogia, penso que essa necessidade teria sido evitada, se o livro contasse com o dobro das páginas. Normalmente não sou apologista de livros grande, contudo estas 250 páginas são aldrabadinhas. O livro tem formato A5, com TNR tamanho 12, portanto havia mais que espaço para fazer uma edição bem maior, com mais informação, pacing mais bem desenvolvido e menos trapalhão. O livro também teria ganho com muitas críticas de especialistas. Agora não estou a gozar, nota-se erros de construção da narrativa que não aconteceriam se os livros tivessem sido lidos por alguém que entendesse de literatura. Principalmente pelo facto de este ser o primeiro livro, existe uma tendência muito grande para haver falhas parvinhas que podem ser superadas com um par de olhos especializado.
Resumindo:
- Narrativa: história mal aproveitada, ritmo acelerado e pouco original;
- Personagens: clichés (tirando a Ana) e mal balançadas (ao menos têm nomes portugueses!);
- Linguagem: desequilibrada - não me convençam que os jovens não dizem asneiras. É que nem um fodasse! E ainda dizem "indaguei". O lado positivo do livro é que alguns diálogos estão muito bem conseguidos e soam mesmo a um diálogo (yey!). Outra coisa: caps lock num livro - big no-no! Parece tão infantil e desnecessário...
- Elementos de fantasia: Podemos considerar este livro low-fantasy, mas low quase debaixo da terra! Eu nem sei porque raios é que o Caeel é um demónio e porque aparecem os vampiros no meio. Os elementos são muito mal explorados e ele só diz "Olha sou um anjinho mau" aí é que nó vemos "Ai isto é fantasia?";
- Influências anglo-americanas: Hush, hush meets Twilight num bar de True Blood... Melhor descrição não há. Braga foi muito mal aproveitada, a cidade é tão bonita, mas tudo foi condensado nas acções das personagens, que a cidade e a sua beleza ficou para trás. Demasiado Bragashopping e eu que acho o centro da cidade um dos mais bonitos de Portugal, podia ser mais aproveitado. Estas influências notaram-se de igual modo em algumas construções sintácticas típicas inglesas e também nota-se que a autora lê traduções.
Agora por extenso, em tom de conclusão: um livro que teria provavelmente mais sucesso se tivesse esperado na gaveta mais um ano (não digo mais) e se contasse com um olhar crítico (ás vezes o que nos escapa enquanto autores é tão óbvio que nem notamos). Para quem gosta de fantasia se calhar até vai querer a minha cabeça numa bandeja (que seja de prata ao menos), mas encaro esta meia-hora como algo de positivo para o autor, que agora que levou comigo em cima, vai pensar sempre duas vezes antes de escrever algo de novo."
SOBERBA ESCURIDÃO - BLOGUE SARA FARINHA
"“Soberba Escuridão” de Andreia Ferreira, mostra a tendência do nosso mercado em apostar em obras dedicadas à Fantasia e ao Sobrenatural. Pessoalmente adoro ambos, e se lhe juntamos Romance tanto melhor, afinal o amor é o combustível da vida.
Quanto à obra da Andreia, gostei. Posso não ter ficado deslumbrada com a história, mas apreciei bastante o desenrolar dos acontecimentos e o facto de se passar em Portugal (em Braga). Falar em romance sobrenatural, totalmente criado e passado numa cidade portuguesa era uma façanha que nunca julguei ser possível. Mas aí está! Uma história interessante e bem construída, que enriqueceu a minha colecção pessoal sobre o género. Antevejo uma sequela, e espero mesmo que ela aconteça.
Parabéns Andreia. Espero que continues a escrever (e a publicar) durante muitos anos.
Aos restantes, resta-vos adquirir a obra e avaliar por vocês mesmos. Deixo-vos também o blog da autora."
quinta-feira, 16 de maio de 2013
SOBERBA ESCURIDÃO - BLOGUE MORRIGHAN
"Soberba Escuridão é o primeiro livro de uma trilogia e também o primeiro livro da autora Andreia Ferreira. Um livro de estreia de um autor português é sempre, para mim, algo que leio com bastante cuidado e atenção, principalmente no género do fantástico/paranormal dado que é o género que mais passa pelas minhas mãos. A Andreia estreou-se bem.
Carla é uma adolescente como outra qualquer. Está no 12º ano com todas as crises que isso acarreta. Tem duas que em conjunto com ela formam um trio inseparável. Até que um dia coisas estranhas começam a acontecer na vida de Carla e tudo se mostra confuso e obscuro. Completamente viciada no sobrenatural, ela chega ao ponto de não conseguir distinguir bem o que é real ou não, ou se não estará a ter uma imaginação demasiado fértil.
Caael, um rapaz que ela conhece num momento de pranto, é o rapaz perfeito, mas oculta muitos segredos e mistérios. Ela vê-se completamente rendida ao seu charme e, por algum tempo, tudo o que se andava a passar de estranho e surreal cessa... Até ao dia em que tudo toma contornos inesperados e aterradores.
O livro está bem escrito, coerente com a faixa etária que retrata, é de leitura bastante fácil e rápida. A autora conseguiu conjugar bastante bem os vários elementos que abordou - sobrenatural, romance, algum terror e acção - fazendo com que a sua obra não se tornasse apenas mais um romance clichê. Gostei particularmente da Andreia ter conseguido ser um pouco cruel e até mais explícita do que o esperado em alguns momentos. Pelo menos são poucos os autores portugueses que num primeiro livro se arriscam assim e por isso ela ganhou bastantes pontos em relação à minha leitura.
Confesso que a história em si não me deixou fascinada. Caael é o rapazinho clichê da maioria das histórias, mas a autora conseguiu compensar com a Ana (uma das amigas da Carla) e até mesmo com Ricardo (um dos amigos de Caael). Penso e admito que o facto de a história não me ter fascinado muito foi por me serem tão familiares várias referências literárias/televisivas que a Andreia aborda na sua história. No entanto está longe de ser má e conseguiu prender bastante a minha atenção.
Resumindo, a escritora começou com o pé direito. Para primeiro livro foi bom e vou ficar à espera dos próximos. É, sem dúvida, uma autora com bastante margem para progressão e que vou ter sempre em conta no futuro, quando lançar novas obras."
Carla é uma adolescente como outra qualquer. Está no 12º ano com todas as crises que isso acarreta. Tem duas que em conjunto com ela formam um trio inseparável. Até que um dia coisas estranhas começam a acontecer na vida de Carla e tudo se mostra confuso e obscuro. Completamente viciada no sobrenatural, ela chega ao ponto de não conseguir distinguir bem o que é real ou não, ou se não estará a ter uma imaginação demasiado fértil.
Caael, um rapaz que ela conhece num momento de pranto, é o rapaz perfeito, mas oculta muitos segredos e mistérios. Ela vê-se completamente rendida ao seu charme e, por algum tempo, tudo o que se andava a passar de estranho e surreal cessa... Até ao dia em que tudo toma contornos inesperados e aterradores.
O livro está bem escrito, coerente com a faixa etária que retrata, é de leitura bastante fácil e rápida. A autora conseguiu conjugar bastante bem os vários elementos que abordou - sobrenatural, romance, algum terror e acção - fazendo com que a sua obra não se tornasse apenas mais um romance clichê. Gostei particularmente da Andreia ter conseguido ser um pouco cruel e até mais explícita do que o esperado em alguns momentos. Pelo menos são poucos os autores portugueses que num primeiro livro se arriscam assim e por isso ela ganhou bastantes pontos em relação à minha leitura.
Confesso que a história em si não me deixou fascinada. Caael é o rapazinho clichê da maioria das histórias, mas a autora conseguiu compensar com a Ana (uma das amigas da Carla) e até mesmo com Ricardo (um dos amigos de Caael). Penso e admito que o facto de a história não me ter fascinado muito foi por me serem tão familiares várias referências literárias/televisivas que a Andreia aborda na sua história. No entanto está longe de ser má e conseguiu prender bastante a minha atenção.
Resumindo, a escritora começou com o pé direito. Para primeiro livro foi bom e vou ficar à espera dos próximos. É, sem dúvida, uma autora com bastante margem para progressão e que vou ter sempre em conta no futuro, quando lançar novas obras."
quarta-feira, 15 de maio de 2013
CASTING: DANIEL - MATT BARR
Esta proposta é minha, para uma personagem muito detestada.
O que acham?
IMDB: http://www.imdb.com/name/nm1204778/?ref_=tt_cl_t3
O que acham?
IMDB: http://www.imdb.com/name/nm1204778/?ref_=tt_cl_t3
SOBERBA ESCURIDÃO - BLOGUE MALAS E SAPATITOS
"A história agarrou-me desde o início pois a personagem principal, a Carla, começa a sofrer de o que ela julga serem alucinações mas o leitor percebe que é mais do que isso e continua a ler para descobrir o que está a acontecer. E atrás de um mistério surgem vários outros ligados às pessoas próximas da Carla.
Gostei das descrições dos locais e das situações que nos davam pormenores mas sem serem maçadoras.
Mas sem dúvida que quando algumas respostas e conclusões começam a surgir e a dar o sentido à história, mais perguntas surgem e nisto o livro chega ao fim, e confesso que estou ansiosa para saber o que vem a seguir.
Muitos parabéns à Andreia pelo óptimo trabalho e à Alfarroba por a apoiar."
SOBERBA TENTAÇÃO - BLOGUE UM MUNDO DIFERENTE
"Já aqui tinha dado a minha opinião sobre o livro Soberba Escuridão, um excelente romance paranormal de uma autora portuguesa. Chegou agora a vez de opinar sobre a continuação: Soberba Tentação.
Entretanto deixo o convite a visitarem o blog da autora em:http://d311nh4.blogspot.pt/
Quando comecei a ler chamou-me de imediato a atenção a qualidade do português escrito. Muito bem detalhado, sem ser minimamente maçudo. Nota-se uma clara evolução face ao primeiro volume que já por si era muito bom.
A leitura continua rápida e furiosa, com a sensação: “o que vai acontecer a seguir?” Sempre presente. Deixei de tentar adivinhar o rumo da história ao fim de alguns capítulos, sendo a imprevisibilidade um ponto muito forte nesta obra. Acreditem que não vale a pena tentar prever.
Existem algumas descrições de absoluto terror e violência (mesmo temas delicados na nossa sociedade) feitas com uma descrição surpreendente. Confesso que são as minhas partes favoritas.
Claro que também existem partes com bastante erotismo e namoriscanso, mas não são a base da história, portanto engane-se quem acha que isto é um romance meloso de uma menina boazinha que conhece um ser sobrenatural e lhe muda a natureza.
Existem também personagens novas que entram na acção sem estragar o desenrolar e possivelmente já ficam apresentadas para o último livro da trilogia. Da mesma forma surgem também bastantes pormenores interessantes que vão tornando o enredo rico. Também neste aspecto verifiquei uma boa evolução.
No primeiro livro, a personagem principal podia ser adjectivada de um pouco sonsapor não procurar respostas. Nesta continuação essa lacuna é explicada e a Carla mostra mais personalidade. No entanto, a minha personagem favorita é a Raquel, que mesmo com pouca intervenção é protagonista de passagens marcantes. Deixo uma nota também para o vampiro Ricardo, cuja vida é explorada de forma a revelar muitos segredos.
No sentido negativo é frequente ouvir-se o ditado: “Não julgar um livro pela capa!” Eu digo que está aqui um bom exemplo. Na minha opinião nem a capa nem a sinopse fazem jus à história. Creio que com uma capa mais apelativa e outro resumo chamariam para esta obra muito mais atenção.
Resumindo, gosto bastante quando obras de autores portugueses me surpreendem pela positiva e para quem gosta deste estilo paranormal, sugiro que apostem no que nacional. Fico na expectativa para o volume final da trilogia, pois este Soberba Tentação elevou bastante a fasquia.
Entretanto deixo o convite a visitarem o blog da autora em:http://d311nh4.blogspot.pt/
E a lerem também o início deste livro em: http://www.goodreads.com/reader/25268-soberba-tenta-o?return_to=%2Fbook%2Fshow%2F13628882-soberba-tenta-o"
SOBERBA ESCURIDÃO - FÓRUM BAD BOOKS DON'T EXIST POR LADY ENTROPY
"Antes de começar com a crítica, tenho que deixar um aviso à navegação muito grande: sou uma grande fã de fantasia urbana, e defendo com unhas e dentes o direito à existência de séries de romance paranormal, mesmo o Twilight, porque claramente há leitores que gostam, e todos nós temos direito a guilty pleasures. Eu nunca vou criticar alguém pela sua escolha de escrever neste género e acho que Portugal precisa de mais escritores de fantasia urbana\paranormal.
Não tenho problema nenhum que este livro seja sobre temas e tópicos e com elementos muito semelhantes a Twilight ou Hush Hush.
Algumas reviewers que não gostaram do livro (Olá, Ruiba
) acusaram-no de ser uma cópia rasca de Hush, Hush. Pode ser que seja (não sei, não consegui ter coragem suficiente para ler o Hush Hush), mas francamente não me importa em nada. Os Jogos da Fome copiam em muito os temas de Battle Royale, e são histórias totalmente diferentes.
Para abrir, o que gostei no livro: o design. Não sei quem faz o design gráfico da capa e do interior deste livro, mas precisam de lhe dar mais trabalho, tendo em conta as capas horríveis que andam por aí.
Agora falando, então de reviewers e não gostar do livro -- é impossível falar deste livro sem falar do incidente das reviews negativas. Este livro tem uma fanbase quase fanática (composta por, suspeito, as amigas da escritora) que persegue, ataca e insulta qualquer pessoa que ouse dizer mal do livro -- vão ao blog da Ruiva para verem o que quero dizer, ou à analise da Alexandra Rolo no Good Reads. Este comic explica muito bem o que estas reviewers andam a passar devido à critica do livro. Não sei se a autora (que até me parece uma pessoa acessível e simpática) aprova este comportamento das suas fãs, mas, se por um lado, ela nunca teve ataques de Anne Riceite Aguda -- por outro lado está notavelmente ausente das discussões e não tenta sequer interceder a favor do direito das pessoas expressarem as suas opiniões. Não digo que isto seja prova certa que ela anda a mandar as amigas para assediar quem diz mal dela (sobretudo porque este tipo de paladinos literários são como cogumelos - acho que tem a ver com a necessidade que algumas pessoas têm de acreditarem que só gostam de coisas boas, e que se gostam de coisas que outros consideram más, isto é o mesmo que dizer que são estúpidas ou que têm falta de gosto), mas a sua ausência dá-lhe, infelizmente, mau aspecto.
Logo, espero ter muitos ataques devido a esta review.
Porque este livro, em termos de pontuação, merece 1 Estrela. A Ruiba e a Alexandra muito mais generosamente deram-lhe 2 estrelas. Eu, por muito que queira, não posso. 2 significa "It's OK". Este livro não é OK de forma alguma. Não o odiei, não tenho problemas com o tema ou o romance, mas é um livro muito mal feito.
Visto que vou estar na lista de ataque das fangirls da autora, vou explicar os meus problemas com este livro antes que me acusem de ter "inveja", de não ter livros escritos, e de ser uma Twifan de armário. Aliás, desejo todo o sucesso a autores tugas que escrevam neste género -- mas que o façam bem.
Ah, sim, claro -- a review vai ser altamente spoilerifica. Interessados, abstenham-se.
TEMAS:
Este livro é um romance com elementos paranormais -- rapaz misterioso com poderes sobrenaturais que se apaixona pela "rapariga normal", e a sua realidade sobrenatural torna-se uma ameaça para o bem estar da sua amada.
Note-se que este tema, apesar de muito batido, é um dos meus guilty pleasures e adoro-o quando bem feito.
HISTÓRIA E ESTRUTURA:
Não há forma de dizer isto de forma politicamente correcta: este livro não é um livro - é um first draft que precisava de um editor. Aliás, este livro é perfeito como caso-estudo para editores: tudo que a escritora podia fazer mal, faz - estrutura, estilo de escrita, voz, pontuação, plot, personagens, erros factuais (por favor, não me digam que ela melhorou no livro seguinte, porque esta review é do primeiro livro), neste livro ela não só não consegue criar uma história surpreendente ou interessante, como a estrutura é desequilibrada -- e tem mais plot-holes que um queijo suíço. Se eu, que tenho conhecimentos muito básicos de escrita, tenho vontade de agarrar uma caneta vermelha, fazer correcções a eito e mandar à autora, imaginem os problemas todos que isto tem. E a parte triste? É que a autora tem uma excelente história potencial de loucura e "o que é realidade vs. o que estou a imaginar" que desaproveita.
A protagonista, Carla, um dia vê monstros em casa dela. Apanha um grande susto, e começa a achar que é doida. Vai para a escola, e um dos colegas de escola começa a ter uns ataques (premonição... ooooooh!), vai ao cinema com um amigo, que começa aos gritos com ela que ela é um monstro, sai a correr e é atropelado. A caminho de casa, encontra um rapaz misterioso e lindo chamado Caael (infelizmente para mim, não consegui impedir-me de ler isto como "Kal-El" e por isso sempre que o nome dele era mencionado, ouvia a musica do Superman), com quem vai desenvolvendo uma relação. O resto do livro é à volta do "amo/odeio-te" típico deste livro, onde finalmente se descobre que ele é um anjo caído porque ousou pedir a Deus poder amar\ter sexo (sim, também tive que ler isto duas vezes para ter a certeza que não estava a alucinar) e que está encarregado de manter os demónios da área sob controlo para não paparem gente demais. As amigas dela acabam por ser apanhadas na confusão, são capturadas, o que leva a que a própria Carla seja capturada por uma demónia, e salva pelo Caael numa cena final muito pouco apoteótica.
Eu costumo dizer que muitos autores portugueses identificam "ser um escritor" com "ter ideias para um livro". Infelizmente, isto não é verdade (ou eu já era escritora à muito tempo) -- ter ideias é o mais importante, mas não saber como escrever é importante e muitas vezes é o suficiente para afundar um livro. E é o que acontece aqui: a autora tem pelo menos a noção que deve começar a acção cedo (no final do primeiro capítulo), mas só depois de uma muito longa apresentação da protagonista e da vida da protagonista que é, obviamente, uma seca. Adicione-se a isto um monte de name dropping de pessoas que a autora conhece e que queria meter no livro.
Depois de se apresentar e falar sobre a sua família ad nauseam, temos a cena inesperada de que ela vê monstros. Isto nunca é explicado e não tem ligação nenhuma com o resto do livro, nunca se resolve ou explica, apenas alerta a protagonista para a existência do sobrenatural (e mais adiante serve como razão para ela adquirir um colar mágico, que, por sua vez, serve para afastar o Caael e introduzir a natureza não-humana dele). Claramente, a autora não sabe o que é a Chekhov's Gun. Na cena final, há menções de uma "ela" que é provavelmente uma "má" maior que vai aparecer no futuro e cheira-me que foi ela quem mandou os monstros, mas o que digo sobre meter elementos inúteis numa história ainda se mantém - se a autora soubesse escrever, sabia também que é uma péssima ideia abrir com um plot secundário que não é resolvido\explicado\utilizado neste livro.
Recentemente vi o filme "The Moth Diaries", que jogava com o tema que eu pensava\esperava que a autora utilizasse, o da potencial loucura da heroína: neste filme, a protagonista, uma aluna de uma escola privada só para raparigas, estava convencida que a nova aluna era uma vampira que estava a matar a melhor amiga dela. Durante grande parte do filme, ficamos sem saber se é verdade (nada nos mostra que há elementos sobrenaturais no filme, a não ser a visão da protagonista) ou se a pobre rapariga, afectada pela morte do pai ainda, está a enlouquecer e sofre de uma ciumite aguda.
Infelizmente, o terror de enlouquecer que a protagonista tem e que explora no primeiro acto, desaparece e mal volta a ser mencionado assim que o Kal-El... digo, Caael, entra em cena.
E depois o plot implode.
Oh, Meu Deus, os plots holes são a coisa mais épica deste livro -- e só se percebe o quanto no final do livro, quando o plot principal acaba por ser uma versão a esteroides do "self-fulfilling prophecy". Permitam-me explicar.
- O melhor amigo da protagonista (que desempenha um papel igual ao Jacob do Twilight, de bonzão que gosta da heroína mas que não vai ter sorte) tem um ataque e começa a alucinar e a gritar que ela é um monstro, foge e é atropelado. O amigo é internado depois do acidente, continua a alucinar, e sai da história quase completamente (voltando só muito mais tarde para lhe dar um amuleto que é a chave para a heroína descobrir que o namorado é uma criatura sobrenatural). De rastos, a heroína vai para casa, esbarra (literalmente) no Kal-El... er, Caael, disparata com ele, despertando o interesse dele. Explica-lhe também o problema que teve com o amigo. Muito tempo depois, descobre-se a verdade - que as alucinações que o amigo teve foram enviadas pelo Kal--não, Caae--(porra, que se lixe, o Caael agora vai ser Kal-El. Gosto mais). Porque ele não sabia mesmo que o amigo era amigo, só a ouvia queixar-se dele e achava que era alguém que era mau para ela.
Portanto, o amigo alucinou devido aos poderes do Kal-El-- que a protagonista AINDA não tinha conhecido, a quem ainda não tinha contado do amigo e de como a tinha atormentado. Logo, o Kal-El não só não tinha razão para enviar alucinações ao amigo, como nem sabia quem ele era.
Tenho que dizer que não percebo como é que as críticas do livro não mencionaram isto como um dos grandes problemas, porque francamente é o que o atira para a 1 estrela para mim. Um livro sem uma história que funciona é um livro desnecessário.
Podia perder tempo a listar outros momentos que não faziam sentido, outros plotholes (por exemplo, uma das melhores amigas começa a namorar com um dos maus, vira-se contra a protagonista, desaparece de circulação, e depois consegue escapar das garras dos maus e encontrar a protagonista -- só para se descobrir que era tudo uma armadilha, que os maus a deixaram escapar para a levar à protagonista, e ainda que ela estava do lado deles -- desculpem, mas um dos maus era colega de escola, e se a melhor amiga ainda estava sob o poder deles... porque NÃO LHE PERGUNTARAM ONDE A PROTAGONISTA VIVIA!? Porquê perder tanto tempo e tornar os vilões ainda mais burros do que eram só para ter um momento de "traição" emocional?). Mas isto prova que a autora não respeita a história suficientemente para a fazer ter lógica. Não, está pronta a atirar lógica e sentido pela janela apenas para poder inserir momentos emocionais forçados (como a vez em que decidem ir a um bar por razões totalmente burras (viram o namorado da amiga lá uma vez, logo faz todo o sentido ir procurá-lo lá para o encontrar -- quando são colegas de escola e era mais fácil, não sei, perguntar a outros colegas, professores, etc. antes de sequer tentar ir a um bar, acreditando que ele estaria lá -- visto que só o viram lá uma vez) -- apenas porque assim, a heroína vê o amado a agarrar uma gaja boa\vilã e arrastá-la do palco onde ela estava a dançar. E logo, a Carla assume que eles são amantes e que ele nunca gostou mesmo dela -- porque é óbvio, não poderia ser por outra razão. Meu deus, ele pegou-lhe no pulso! E puxou-a para fora do palco! A profundidade emocional! O eroticismo! Isto devia ter bolinha vermelha no canto!
Agora a estrutura é... terrível também. Se bem que começa com a acção forte na cena um, para lá chegar temos que ler montes sobre a família da Carla e sobre a própria Carla o que é aborrecido como tudo. Depois do primeiro acto inserir um tema de possível loucura ignora-o completamente, e o segundo acto torna-se uma massa amorfa, sem evolução, sem conflitos particularmente chocantes. O terceiro acto, se é que posso dizer que há um, aparece de rompante, culminando numa cena final confusa e desinteressante -- onde a protagonista nada mais é que uma vítima passiva dos acontecimentos, com o Kal-El a salvar o dia.
Em suma: a história e a estrutura são falhanços totais, claramente por falta de conhecimentos da autora que não sabe como escrever e que poderia melhorar muito se aprendesse pelo menos algumas regras básicas de estrutura. Recomendo-lhe este mini-curso, que é barato, curto e simples. Sugiro-lhe também que leia o "Writing Novels for Dummies" que, apesar de básico, é muito bom para quem sabe pouco\nada sobre o tema.
PERSONAGENS:
A protagonista, Carla, sofre do que gosto de chamar "Síndroma de Bella Swan" - e que outras pessoas chamam o "Síndroma de Cinderela". Não, não tem nada a ver com ser uma mosquinha morta enjoadinha, ou apaixonar-se por um ser sobrenatural. A Carla é uma protagonista pelo menos simpática, e tem boas qualidades (como preocupar-se com os amigos, gostar muito da família, etc.) sem ser perfeita. Não. O síndroma vem do facto que a protagonista NÃO FAZ NADA. A Carla nada mais é que uma vítima das suas circunstâncias - está no sítio certo, à hora certa - e as coisas acontecem-lhe: um anjo apaixona-se por ela, está na mesma turma que um demonólatra que se torna o vilão, devido à relação com dito anjo, os inimigos dele atacam-na...
Nada do que ela faz é consequente. Ela é passiva, e deixa que as coisas lhe aconteçam -- não faz nada. Se retirassem a Carla da história, esta ainda podia acontecer -- o conflito entre Kal-El e a demónio em nada necessita da existência da protagonista -- quando um verdadeiro protagonista faz a história avançar através das suas acções. A única coisa que ela faz de sua vontade é procurar a amiga -- mas que acaba por ser inconsequente para a história e não a influenciar em nada. Quando um livro tem uma protagonista descartável, é sinal que algo está muito mal.
Os herói\love interest não me interessou: típico bonitão misterioso e fascinante que sabemos que é um bonitão misterioso e fascinante porque a protagonista não pára de nos dizer isso, e não por algo que ele faça ou diga. Claro que ele também é rico e sofisticado. Claro. Confesso que perdi todo o respeito por ele quando soube que a razão da sua queda foi porque queria... sexo. Lúcifer revolta-se contra Deus porque Ele protege os egoístas dos humanos, lidera uma revolução que divide os céus em dois, levando a uma guerra civil. Caael revolta-se porque queria dar umas berlaitadas. Sim, porque o nosso protagonista não podia ter defeitos ou ter feito coisas horríveis no passado das quais se arrependeu. Logo, para mim ele é apenas um ideal, uma noção de homem (sobrenatural) perfeito, a manifestação das fantasias e desejos da autora, e não um personagem real, logo, tem a personalidade e profundidade de uma esponja.
As personagens secundárias são ou desculpas para o plot, ou inserções de amigas reais (veja-se a personagem da Ana). Por um lado, torna a personagem realista (suspeito que a pessoa real, que também se chama Ana, foi consultada para saber o que ela diria na situação) -- mas isto não faz a personagem interessante ou necessária para a história, a não ser como instrumento do plot. Espero levar porrada por isto, porque a tal Ana que inspirou a personagem do livro mandou uma série de mensagens a disparatar à Ruiba quando a Ruiba publicou uma review negativa do livro -- e ela elogiou a personagem da Ana. Imagino eu que lhe chamei desinteressante como personagem.
Os vilões tem menos personalidade ainda que o love interest, e mais bidimensionais/chatos/insubstanciais que um crepe. Infelizmente, a autora deve achar que o trope das "High School Rich Bitches" era um bom de inserir, e não só me fez rebolar os olhos, mas saber que isto me lembra mais de uma fanfiction que um livro. Pior que isso - alunas do 12º que se chamassem a elas próprias "Powerpuff Girls" em público, teriam sido gozadas à brava. Como podia ser um problema dos meus tempos do secundário fui falar com alunas do 12º sobre o assunto para ter a certeza -- a resposta foi a mesma: por muito que The Powerpuff Girls seja uma série fixe, ninguém se auto-designaria assim, e se o fizessem iam ser gozadas por toda a gente, boazonas ou não. Isso é coisa de miúdas da primária. Podia ser também um caso de diferença de cultura, e o pessoal de Braga ser diferente. Falei com duas pessoas de Braga sobre isso (uma delas, a DreamGazer) que me disseram o mesmo -- essas miúdas teriam sido gozadas até à morte.
Depois, a vilã, Odete. Tenho que me perguntar se a autora tem algo contra uma Odete, porque a nomenclatura é, no mínimo estranha: por um lado, temos o Caael, com o seu nome que segue a regra da terminar em -el (como a maioria dos Anjos, que tem a ver com ser "de Deus") o anjo. Por outro, temos Odete, o demónio. E a Cecília, a súcubo. E a Antónia, a filha de Satanás. E a Maria José, a Nefilim... (okay, pronto, inventei as últimas três). Esta vilã também não se aproveita muito, visto que não é uma inimiga da heroína, é sim do love-interest (que não a deixa comer os humanos todos que ela quer), logo reforça a ideia que esta história não é sobre a protagonista, mas sim sobre o Kal-El e a Odete, e que a protagonista e o seu romance é só um side-plot. Afinal se se removesse a Carla e a relação dela com o Kal-El, a história que parece ser a principal (os misteriosos assassinatos\desaparecimentos) continuava sem problemas e com mudanças menores -- a Odete continuava a comer humanos e possuir (possuir à O Exorcista, não da outra forma, porra!) miúdos de secundário, o Kal-El continuava a querer impedi-la.
É o primeiro livro que leio em que a protagonista é quase completamente desnecessária para a história.
ESTILO E OUTRAS PICUINHICES:
Visto que tenho uma vida e esta review já vai longa, decidi não meter aqui uma listagem extensiva de todas as coisas menores que afligem este livro. Basta dizer que este foi o segundo livro em que me deu vontade de pegar numa caneta vermelha, corrigir a eito, e enviar à autora para ela fazer sair a edição 2.0 do livro. O primeiro com que me aconteceu isto foi o livro 1 da saga Nocturnus.
Para começar, a autora sofre do sério problema que muitos autores tugas sofrem, que é confundir inteligência e erudição com Abuso de Tesauro: lá porque um livro tem palavras complicadas não quer dizer que seja interessante ou profundo. Só quer dizer que o autor tem um dicionário de sinónimos em casa.
Isto liga-se directamente ao problema de voz de todo o livro. A narração é feita na primeira pessoa, por uma protagonista que tem 17 anos e é uma adolescente normal...
... que fala como se tivesse engolido um dicionário.
Ao ler o livro, não temos a ilusão que estamos a ler a história contada por uma adolescente -- parece, isso sim, que a história é contada por uma adulta que gosta de mostrar que sabe palavras caras, a tentar fingir que é uma adolescente. O diálogo soa a falso e só a Ana consegue (moderadamente) escapar-se. Ainda me dá vontade de lhe dar um murro quando abre a boca mas isso só sou eu....
A autora é licenciada em Letras, o que talvez explique o seu amor por palavras caras (eu também sou, todavia, e não me vêem a abusar o Tesauro desta forma). O que não explica é como que alguém que tem este curso não sabe usar pontuação, sobretudo virgulas. Em cada página encontrava pelo menos um erro de pontuação, o que fala muito mal de alguém com um curso superior.
Depois temos o momento em que me fez dar com a cabeça na parede: quando a autora classifica Jane Austen como uma escritora da época victoriana. Quando Jane Austen morreu mais de um ano ANTES da Rainha Victória sequer nascer. Eu sei que isto parece picuinhice, mas quem é do curso de Letras devia ter pelo menos noção de que Austen precede a rainha, e que se queria um autor da época victoriana para dar exemplo tinha o Dickens ou as Brontë. Mas o facto é que é a obrigação de um autor de fazer pesquisa, e não fornecer dados falsos -- ainda que a desculpa possa ser que a protagonista era ignorante. Unreliable Narrator não desculpa ignorância do autor - sobretudo quando a informação podia ser verificada com uma rápida visita à Wikipedia.
Todavia, como disse, isto são mais picuinhices que outra coisa qualquer, visto que o livro tem problemas muito mais sérios, começando pela história e plot-holes épicos. Não significa que não devam ser referidos, no entanto.
Por fim, suponho que devo mencionar o world-build e setting. É pouco original, nada interessante, e por vezes estranho (misturando mythos católicos com egípcios - a cena dos gatos como protectores contra o mal faz-me suspeitar que a autora é fã dos filmes The Mummy, como eu...) mas visto que foi pouco desenvolvido, não vou analisar em profundidade (porque não posso, na verdade). Anjos existem, demónios também, vampiros são os filhos de demónios e humanos e também andam aí. Deus existe e é um cabrão que expulsa um dos seus servos porque este ousa querer brincar ao Esconde O Pepino. Não há muito mais a dizer sobre o world build.
Em suma: um livro de um género que gosto, com um design excelente, mas mal escrito em termos de plot e estrutura, com personagens aceitáveis mas bi-dimensionais e uma protagonista desnecessária, world build quase inexistente, e mais plot holes que uma peneira. Não posso recomendá-lo a ninguém porque não tem nada que se destaque sobre um monte de outros livros com este tema. Se querem ler algo neste género, vão ler o Twilight que está melhor escrito - não imaginaria que algum dia ia dizer estas palavras sem ser a gozar.
Agora vou meter-me no meu bunker porque aposto que vem aí tormenta da séria."
Não tenho problema nenhum que este livro seja sobre temas e tópicos e com elementos muito semelhantes a Twilight ou Hush Hush.
Algumas reviewers que não gostaram do livro (Olá, Ruiba
) acusaram-no de ser uma cópia rasca de Hush, Hush. Pode ser que seja (não sei, não consegui ter coragem suficiente para ler o Hush Hush), mas francamente não me importa em nada. Os Jogos da Fome copiam em muito os temas de Battle Royale, e são histórias totalmente diferentes.Para abrir, o que gostei no livro: o design. Não sei quem faz o design gráfico da capa e do interior deste livro, mas precisam de lhe dar mais trabalho, tendo em conta as capas horríveis que andam por aí.
Agora falando, então de reviewers e não gostar do livro -- é impossível falar deste livro sem falar do incidente das reviews negativas. Este livro tem uma fanbase quase fanática (composta por, suspeito, as amigas da escritora) que persegue, ataca e insulta qualquer pessoa que ouse dizer mal do livro -- vão ao blog da Ruiva para verem o que quero dizer, ou à analise da Alexandra Rolo no Good Reads. Este comic explica muito bem o que estas reviewers andam a passar devido à critica do livro. Não sei se a autora (que até me parece uma pessoa acessível e simpática) aprova este comportamento das suas fãs, mas, se por um lado, ela nunca teve ataques de Anne Riceite Aguda -- por outro lado está notavelmente ausente das discussões e não tenta sequer interceder a favor do direito das pessoas expressarem as suas opiniões. Não digo que isto seja prova certa que ela anda a mandar as amigas para assediar quem diz mal dela (sobretudo porque este tipo de paladinos literários são como cogumelos - acho que tem a ver com a necessidade que algumas pessoas têm de acreditarem que só gostam de coisas boas, e que se gostam de coisas que outros consideram más, isto é o mesmo que dizer que são estúpidas ou que têm falta de gosto), mas a sua ausência dá-lhe, infelizmente, mau aspecto.
Logo, espero ter muitos ataques devido a esta review.
Porque este livro, em termos de pontuação, merece 1 Estrela. A Ruiba e a Alexandra muito mais generosamente deram-lhe 2 estrelas. Eu, por muito que queira, não posso. 2 significa "It's OK". Este livro não é OK de forma alguma. Não o odiei, não tenho problemas com o tema ou o romance, mas é um livro muito mal feito.
Visto que vou estar na lista de ataque das fangirls da autora, vou explicar os meus problemas com este livro antes que me acusem de ter "inveja", de não ter livros escritos, e de ser uma Twifan de armário. Aliás, desejo todo o sucesso a autores tugas que escrevam neste género -- mas que o façam bem.
Ah, sim, claro -- a review vai ser altamente spoilerifica. Interessados, abstenham-se.
TEMAS:
Este livro é um romance com elementos paranormais -- rapaz misterioso com poderes sobrenaturais que se apaixona pela "rapariga normal", e a sua realidade sobrenatural torna-se uma ameaça para o bem estar da sua amada.
Note-se que este tema, apesar de muito batido, é um dos meus guilty pleasures e adoro-o quando bem feito.
HISTÓRIA E ESTRUTURA:
Não há forma de dizer isto de forma politicamente correcta: este livro não é um livro - é um first draft que precisava de um editor. Aliás, este livro é perfeito como caso-estudo para editores: tudo que a escritora podia fazer mal, faz - estrutura, estilo de escrita, voz, pontuação, plot, personagens, erros factuais (por favor, não me digam que ela melhorou no livro seguinte, porque esta review é do primeiro livro), neste livro ela não só não consegue criar uma história surpreendente ou interessante, como a estrutura é desequilibrada -- e tem mais plot-holes que um queijo suíço. Se eu, que tenho conhecimentos muito básicos de escrita, tenho vontade de agarrar uma caneta vermelha, fazer correcções a eito e mandar à autora, imaginem os problemas todos que isto tem. E a parte triste? É que a autora tem uma excelente história potencial de loucura e "o que é realidade vs. o que estou a imaginar" que desaproveita.
A protagonista, Carla, um dia vê monstros em casa dela. Apanha um grande susto, e começa a achar que é doida. Vai para a escola, e um dos colegas de escola começa a ter uns ataques (premonição... ooooooh!), vai ao cinema com um amigo, que começa aos gritos com ela que ela é um monstro, sai a correr e é atropelado. A caminho de casa, encontra um rapaz misterioso e lindo chamado Caael (infelizmente para mim, não consegui impedir-me de ler isto como "Kal-El" e por isso sempre que o nome dele era mencionado, ouvia a musica do Superman), com quem vai desenvolvendo uma relação. O resto do livro é à volta do "amo/odeio-te" típico deste livro, onde finalmente se descobre que ele é um anjo caído porque ousou pedir a Deus poder amar\ter sexo (sim, também tive que ler isto duas vezes para ter a certeza que não estava a alucinar) e que está encarregado de manter os demónios da área sob controlo para não paparem gente demais. As amigas dela acabam por ser apanhadas na confusão, são capturadas, o que leva a que a própria Carla seja capturada por uma demónia, e salva pelo Caael numa cena final muito pouco apoteótica.
Eu costumo dizer que muitos autores portugueses identificam "ser um escritor" com "ter ideias para um livro". Infelizmente, isto não é verdade (ou eu já era escritora à muito tempo) -- ter ideias é o mais importante, mas não saber como escrever é importante e muitas vezes é o suficiente para afundar um livro. E é o que acontece aqui: a autora tem pelo menos a noção que deve começar a acção cedo (no final do primeiro capítulo), mas só depois de uma muito longa apresentação da protagonista e da vida da protagonista que é, obviamente, uma seca. Adicione-se a isto um monte de name dropping de pessoas que a autora conhece e que queria meter no livro.
Depois de se apresentar e falar sobre a sua família ad nauseam, temos a cena inesperada de que ela vê monstros. Isto nunca é explicado e não tem ligação nenhuma com o resto do livro, nunca se resolve ou explica, apenas alerta a protagonista para a existência do sobrenatural (e mais adiante serve como razão para ela adquirir um colar mágico, que, por sua vez, serve para afastar o Caael e introduzir a natureza não-humana dele). Claramente, a autora não sabe o que é a Chekhov's Gun. Na cena final, há menções de uma "ela" que é provavelmente uma "má" maior que vai aparecer no futuro e cheira-me que foi ela quem mandou os monstros, mas o que digo sobre meter elementos inúteis numa história ainda se mantém - se a autora soubesse escrever, sabia também que é uma péssima ideia abrir com um plot secundário que não é resolvido\explicado\utilizado neste livro.
Recentemente vi o filme "The Moth Diaries", que jogava com o tema que eu pensava\esperava que a autora utilizasse, o da potencial loucura da heroína: neste filme, a protagonista, uma aluna de uma escola privada só para raparigas, estava convencida que a nova aluna era uma vampira que estava a matar a melhor amiga dela. Durante grande parte do filme, ficamos sem saber se é verdade (nada nos mostra que há elementos sobrenaturais no filme, a não ser a visão da protagonista) ou se a pobre rapariga, afectada pela morte do pai ainda, está a enlouquecer e sofre de uma ciumite aguda.
Infelizmente, o terror de enlouquecer que a protagonista tem e que explora no primeiro acto, desaparece e mal volta a ser mencionado assim que o Kal-El... digo, Caael, entra em cena.
E depois o plot implode.
Oh, Meu Deus, os plots holes são a coisa mais épica deste livro -- e só se percebe o quanto no final do livro, quando o plot principal acaba por ser uma versão a esteroides do "self-fulfilling prophecy". Permitam-me explicar.
- O melhor amigo da protagonista (que desempenha um papel igual ao Jacob do Twilight, de bonzão que gosta da heroína mas que não vai ter sorte) tem um ataque e começa a alucinar e a gritar que ela é um monstro, foge e é atropelado. O amigo é internado depois do acidente, continua a alucinar, e sai da história quase completamente (voltando só muito mais tarde para lhe dar um amuleto que é a chave para a heroína descobrir que o namorado é uma criatura sobrenatural). De rastos, a heroína vai para casa, esbarra (literalmente) no Kal-El... er, Caael, disparata com ele, despertando o interesse dele. Explica-lhe também o problema que teve com o amigo. Muito tempo depois, descobre-se a verdade - que as alucinações que o amigo teve foram enviadas pelo Kal--não, Caae--(porra, que se lixe, o Caael agora vai ser Kal-El. Gosto mais). Porque ele não sabia mesmo que o amigo era amigo, só a ouvia queixar-se dele e achava que era alguém que era mau para ela.
Portanto, o amigo alucinou devido aos poderes do Kal-El-- que a protagonista AINDA não tinha conhecido, a quem ainda não tinha contado do amigo e de como a tinha atormentado. Logo, o Kal-El não só não tinha razão para enviar alucinações ao amigo, como nem sabia quem ele era.
Tenho que dizer que não percebo como é que as críticas do livro não mencionaram isto como um dos grandes problemas, porque francamente é o que o atira para a 1 estrela para mim. Um livro sem uma história que funciona é um livro desnecessário.
Podia perder tempo a listar outros momentos que não faziam sentido, outros plotholes (por exemplo, uma das melhores amigas começa a namorar com um dos maus, vira-se contra a protagonista, desaparece de circulação, e depois consegue escapar das garras dos maus e encontrar a protagonista -- só para se descobrir que era tudo uma armadilha, que os maus a deixaram escapar para a levar à protagonista, e ainda que ela estava do lado deles -- desculpem, mas um dos maus era colega de escola, e se a melhor amiga ainda estava sob o poder deles... porque NÃO LHE PERGUNTARAM ONDE A PROTAGONISTA VIVIA!? Porquê perder tanto tempo e tornar os vilões ainda mais burros do que eram só para ter um momento de "traição" emocional?). Mas isto prova que a autora não respeita a história suficientemente para a fazer ter lógica. Não, está pronta a atirar lógica e sentido pela janela apenas para poder inserir momentos emocionais forçados (como a vez em que decidem ir a um bar por razões totalmente burras (viram o namorado da amiga lá uma vez, logo faz todo o sentido ir procurá-lo lá para o encontrar -- quando são colegas de escola e era mais fácil, não sei, perguntar a outros colegas, professores, etc. antes de sequer tentar ir a um bar, acreditando que ele estaria lá -- visto que só o viram lá uma vez) -- apenas porque assim, a heroína vê o amado a agarrar uma gaja boa\vilã e arrastá-la do palco onde ela estava a dançar. E logo, a Carla assume que eles são amantes e que ele nunca gostou mesmo dela -- porque é óbvio, não poderia ser por outra razão. Meu deus, ele pegou-lhe no pulso! E puxou-a para fora do palco! A profundidade emocional! O eroticismo! Isto devia ter bolinha vermelha no canto!
Agora a estrutura é... terrível também. Se bem que começa com a acção forte na cena um, para lá chegar temos que ler montes sobre a família da Carla e sobre a própria Carla o que é aborrecido como tudo. Depois do primeiro acto inserir um tema de possível loucura ignora-o completamente, e o segundo acto torna-se uma massa amorfa, sem evolução, sem conflitos particularmente chocantes. O terceiro acto, se é que posso dizer que há um, aparece de rompante, culminando numa cena final confusa e desinteressante -- onde a protagonista nada mais é que uma vítima passiva dos acontecimentos, com o Kal-El a salvar o dia.
Em suma: a história e a estrutura são falhanços totais, claramente por falta de conhecimentos da autora que não sabe como escrever e que poderia melhorar muito se aprendesse pelo menos algumas regras básicas de estrutura. Recomendo-lhe este mini-curso, que é barato, curto e simples. Sugiro-lhe também que leia o "Writing Novels for Dummies" que, apesar de básico, é muito bom para quem sabe pouco\nada sobre o tema.
PERSONAGENS:
A protagonista, Carla, sofre do que gosto de chamar "Síndroma de Bella Swan" - e que outras pessoas chamam o "Síndroma de Cinderela". Não, não tem nada a ver com ser uma mosquinha morta enjoadinha, ou apaixonar-se por um ser sobrenatural. A Carla é uma protagonista pelo menos simpática, e tem boas qualidades (como preocupar-se com os amigos, gostar muito da família, etc.) sem ser perfeita. Não. O síndroma vem do facto que a protagonista NÃO FAZ NADA. A Carla nada mais é que uma vítima das suas circunstâncias - está no sítio certo, à hora certa - e as coisas acontecem-lhe: um anjo apaixona-se por ela, está na mesma turma que um demonólatra que se torna o vilão, devido à relação com dito anjo, os inimigos dele atacam-na...
Nada do que ela faz é consequente. Ela é passiva, e deixa que as coisas lhe aconteçam -- não faz nada. Se retirassem a Carla da história, esta ainda podia acontecer -- o conflito entre Kal-El e a demónio em nada necessita da existência da protagonista -- quando um verdadeiro protagonista faz a história avançar através das suas acções. A única coisa que ela faz de sua vontade é procurar a amiga -- mas que acaba por ser inconsequente para a história e não a influenciar em nada. Quando um livro tem uma protagonista descartável, é sinal que algo está muito mal.
Os herói\love interest não me interessou: típico bonitão misterioso e fascinante que sabemos que é um bonitão misterioso e fascinante porque a protagonista não pára de nos dizer isso, e não por algo que ele faça ou diga. Claro que ele também é rico e sofisticado. Claro. Confesso que perdi todo o respeito por ele quando soube que a razão da sua queda foi porque queria... sexo. Lúcifer revolta-se contra Deus porque Ele protege os egoístas dos humanos, lidera uma revolução que divide os céus em dois, levando a uma guerra civil. Caael revolta-se porque queria dar umas berlaitadas. Sim, porque o nosso protagonista não podia ter defeitos ou ter feito coisas horríveis no passado das quais se arrependeu. Logo, para mim ele é apenas um ideal, uma noção de homem (sobrenatural) perfeito, a manifestação das fantasias e desejos da autora, e não um personagem real, logo, tem a personalidade e profundidade de uma esponja.
As personagens secundárias são ou desculpas para o plot, ou inserções de amigas reais (veja-se a personagem da Ana). Por um lado, torna a personagem realista (suspeito que a pessoa real, que também se chama Ana, foi consultada para saber o que ela diria na situação) -- mas isto não faz a personagem interessante ou necessária para a história, a não ser como instrumento do plot. Espero levar porrada por isto, porque a tal Ana que inspirou a personagem do livro mandou uma série de mensagens a disparatar à Ruiba quando a Ruiba publicou uma review negativa do livro -- e ela elogiou a personagem da Ana. Imagino eu que lhe chamei desinteressante como personagem.
Os vilões tem menos personalidade ainda que o love interest, e mais bidimensionais/chatos/insubstanciais que um crepe. Infelizmente, a autora deve achar que o trope das "High School Rich Bitches" era um bom de inserir, e não só me fez rebolar os olhos, mas saber que isto me lembra mais de uma fanfiction que um livro. Pior que isso - alunas do 12º que se chamassem a elas próprias "Powerpuff Girls" em público, teriam sido gozadas à brava. Como podia ser um problema dos meus tempos do secundário fui falar com alunas do 12º sobre o assunto para ter a certeza -- a resposta foi a mesma: por muito que The Powerpuff Girls seja uma série fixe, ninguém se auto-designaria assim, e se o fizessem iam ser gozadas por toda a gente, boazonas ou não. Isso é coisa de miúdas da primária. Podia ser também um caso de diferença de cultura, e o pessoal de Braga ser diferente. Falei com duas pessoas de Braga sobre isso (uma delas, a DreamGazer) que me disseram o mesmo -- essas miúdas teriam sido gozadas até à morte.
Depois, a vilã, Odete. Tenho que me perguntar se a autora tem algo contra uma Odete, porque a nomenclatura é, no mínimo estranha: por um lado, temos o Caael, com o seu nome que segue a regra da terminar em -el (como a maioria dos Anjos, que tem a ver com ser "de Deus") o anjo. Por outro, temos Odete, o demónio. E a Cecília, a súcubo. E a Antónia, a filha de Satanás. E a Maria José, a Nefilim... (okay, pronto, inventei as últimas três). Esta vilã também não se aproveita muito, visto que não é uma inimiga da heroína, é sim do love-interest (que não a deixa comer os humanos todos que ela quer), logo reforça a ideia que esta história não é sobre a protagonista, mas sim sobre o Kal-El e a Odete, e que a protagonista e o seu romance é só um side-plot. Afinal se se removesse a Carla e a relação dela com o Kal-El, a história que parece ser a principal (os misteriosos assassinatos\desaparecimentos) continuava sem problemas e com mudanças menores -- a Odete continuava a comer humanos e possuir (possuir à O Exorcista, não da outra forma, porra!) miúdos de secundário, o Kal-El continuava a querer impedi-la.
É o primeiro livro que leio em que a protagonista é quase completamente desnecessária para a história.
ESTILO E OUTRAS PICUINHICES:
Visto que tenho uma vida e esta review já vai longa, decidi não meter aqui uma listagem extensiva de todas as coisas menores que afligem este livro. Basta dizer que este foi o segundo livro em que me deu vontade de pegar numa caneta vermelha, corrigir a eito, e enviar à autora para ela fazer sair a edição 2.0 do livro. O primeiro com que me aconteceu isto foi o livro 1 da saga Nocturnus.
Para começar, a autora sofre do sério problema que muitos autores tugas sofrem, que é confundir inteligência e erudição com Abuso de Tesauro: lá porque um livro tem palavras complicadas não quer dizer que seja interessante ou profundo. Só quer dizer que o autor tem um dicionário de sinónimos em casa.
Isto liga-se directamente ao problema de voz de todo o livro. A narração é feita na primeira pessoa, por uma protagonista que tem 17 anos e é uma adolescente normal...
... que fala como se tivesse engolido um dicionário.
Ao ler o livro, não temos a ilusão que estamos a ler a história contada por uma adolescente -- parece, isso sim, que a história é contada por uma adulta que gosta de mostrar que sabe palavras caras, a tentar fingir que é uma adolescente. O diálogo soa a falso e só a Ana consegue (moderadamente) escapar-se. Ainda me dá vontade de lhe dar um murro quando abre a boca mas isso só sou eu....
A autora é licenciada em Letras, o que talvez explique o seu amor por palavras caras (eu também sou, todavia, e não me vêem a abusar o Tesauro desta forma). O que não explica é como que alguém que tem este curso não sabe usar pontuação, sobretudo virgulas. Em cada página encontrava pelo menos um erro de pontuação, o que fala muito mal de alguém com um curso superior.
Depois temos o momento em que me fez dar com a cabeça na parede: quando a autora classifica Jane Austen como uma escritora da época victoriana. Quando Jane Austen morreu mais de um ano ANTES da Rainha Victória sequer nascer. Eu sei que isto parece picuinhice, mas quem é do curso de Letras devia ter pelo menos noção de que Austen precede a rainha, e que se queria um autor da época victoriana para dar exemplo tinha o Dickens ou as Brontë. Mas o facto é que é a obrigação de um autor de fazer pesquisa, e não fornecer dados falsos -- ainda que a desculpa possa ser que a protagonista era ignorante. Unreliable Narrator não desculpa ignorância do autor - sobretudo quando a informação podia ser verificada com uma rápida visita à Wikipedia.
Todavia, como disse, isto são mais picuinhices que outra coisa qualquer, visto que o livro tem problemas muito mais sérios, começando pela história e plot-holes épicos. Não significa que não devam ser referidos, no entanto.
Por fim, suponho que devo mencionar o world-build e setting. É pouco original, nada interessante, e por vezes estranho (misturando mythos católicos com egípcios - a cena dos gatos como protectores contra o mal faz-me suspeitar que a autora é fã dos filmes The Mummy, como eu...) mas visto que foi pouco desenvolvido, não vou analisar em profundidade (porque não posso, na verdade). Anjos existem, demónios também, vampiros são os filhos de demónios e humanos e também andam aí. Deus existe e é um cabrão que expulsa um dos seus servos porque este ousa querer brincar ao Esconde O Pepino. Não há muito mais a dizer sobre o world build.
Em suma: um livro de um género que gosto, com um design excelente, mas mal escrito em termos de plot e estrutura, com personagens aceitáveis mas bi-dimensionais e uma protagonista desnecessária, world build quase inexistente, e mais plot holes que uma peneira. Não posso recomendá-lo a ninguém porque não tem nada que se destaque sobre um monte de outros livros com este tema. Se querem ler algo neste género, vão ler o Twilight que está melhor escrito - não imaginaria que algum dia ia dizer estas palavras sem ser a gozar.
Agora vou meter-me no meu bunker porque aposto que vem aí tormenta da séria."
SOBERBA ESCURIDÃO - BLOGUE UM MUNDO DIFERENTE
"Raramente uso este espaço para publicar outras coisas, mas este livro vale a pena.
Soberba Escuridão, é um romance paranormal, escrito na primeira pessoa. A leitura é leve e a acção é imprevisível e cativante. Ficamos sempre com aquela sensação: O que vai acontecer a seguir?
Na minha opinião, a sinopse não faz justiça à história, pois parece levar para outro tipo de narrativa previsível.
A personagem principal é uma rapariga que frequenta o último ano do liceu, (Creio, pessoalmente, que podia ser mais velha. Mas torna-se indiferente.) que vê a sua sanidade mental posta à prova perante as visões de uma estranha criatura. Tendo um fascínio pelo oculto, começa a recear que esteja a ficar louca. É criticada pelas amigas, por ter gostos obscuros e acaba por ficar só. Acaba por encontrar um misterioso rapaz por quem se apaixona. A partir daí tudo se torna imprevisível e tudo pode não ser o que aparenta.
Sem ser um típico romance ‘lamechas’ e sem grandes dramas, apesar de tocar em temas delicados da nossa sociedade, vai cativar os mais românticos.
Também não tem uma carga exagerada de obscuridade e mitologia. O que não obriga a explicações complexas que quebram a acção (como acontece em muitos livros). Tudo está na medida certa para uma leitura extremamente cativante.
A autora é Portuguesa, o que acrescenta valor. É também o início de uma trilogia. Excelente notícia, porque o livro sabe a pouco. Venha o próximo!
Aconselho vivamente e divulgo!
Podem seguir o blog da trilogia aqui: http://trilogiasoberba.blogspot.pt/
E o da autora, Andreia Ferreira, aqui: http://d311nh4.blogspot.pt/
Não sou um leitor compulsivo, mas sei que existem excelentes autores portugueses na área do fantástico. Quando me vierem parar às mãos, deixarei aqui a opinião."
sexta-feira, 10 de maio de 2013
ARTE
Temos artistas entre os leitores dos "Soberbas".
Vejam alguns dos desenhos inspirados na história?.
Há 3 desenhos sem nome de autor. A identificação perdeu-se com o tempo e com tantas mudanças de blogues e etc. Se for teu, acusa-te ;)
CASTING: ANA - LUCY HALE
Chegaram algumas propostas da Nádia Santos, administradora do blogue O NOSSO MUNDO SOBRENATURAL/LIVROS NAS ESTRELAS.
O que acham deste rosto para a personagem mais querida dos leitores?
IMDB: http://www.imdb.com/name/nm1423955/?ref_=tt_cl_t4
O que acham deste rosto para a personagem mais querida dos leitores?
IMDB: http://www.imdb.com/name/nm1423955/?ref_=tt_cl_t4
SOBERBA TENTAÇÃO - BLOGUE CASTELOS DE LETRAS
"Acabei agora de ler o “Soberba Tentação”, o segundo volume da Trilogia Soberba da Andreia. E o que poderei dizer sem soar suspeita? Sim, suspeita porque admiro a Andreia, o seu trabalho com estes dois livros e, ainda por cima, partilhamos a mesma editora. Já houve, inclusive, insinuações sobre as nossas opiniões serem influenciadas por esse facto. Bom, sugiro a quem o insinuou que entre no meio e depois se pronuncie. Há-de haver sempre quem não se venda, e também haverá sempre honestidade para não se procurar comprar quem quer que seja. E é livre de todas estas suposições que me expresso em relação ao II volume desta trilogia, com o despreendimento de uma leitora que, por acaso, se apresentou em Braga (infelizmente tarde e a más horas) para o lançamento da obra, e que deu um beijo de duplos parabéns à feliz escritora, que trouxe assim à luz um segundo rebento promissor.
O “Soberba Escuridão” foi o meu primeiro contacto com este género de livros sobrenaturais. Gostei do facto de ter um pé na realidade e de a Carla ir absorvendo o que acontecia com a estranheza que eu própria, como leitora, também absorvia. Abriu-me o apetite para este mundo e que me deixou com sede de mais. Agora que terminei de ler o Soberba Tentação? Sinto-me tão ansiosa quanto ao próximo volume quanto me sinto em relação a Abril de 2013, para quando está prevista a nova temporada do Game of Thrones. Já viram o muito que tem de se esperar?
O “Soberba Escuridão” foi o meu primeiro contacto com este género de livros sobrenaturais. Gostei do facto de ter um pé na realidade e de a Carla ir absorvendo o que acontecia com a estranheza que eu própria, como leitora, também absorvia. Abriu-me o apetite para este mundo e que me deixou com sede de mais. Agora que terminei de ler o Soberba Tentação? Sinto-me tão ansiosa quanto ao próximo volume quanto me sinto em relação a Abril de 2013, para quando está prevista a nova temporada do Game of Thrones. Já viram o muito que tem de se esperar?
Ora bem, o que explicar desta obra a quem não leu o primeiro volume? Em “Soberba Escuridão”, a Carla toma conhecimento da existência de um mundo que subsiste paralelamente à consciência humana – tantas vezes voluntariamente ignorado por ela. Curiosamente, ela não vai à procura desse mundo – é ele que vem ter com ela. Levanta-se um pouco do véu sobre estas coincidências, que o “Soberba Tentação” começa a explicar a um ritmo ainda mais fluido, ainda mais interessante. A autora amadureceu a olhos vistos, foi estonteante essa mudança de uma primeira obra para esta segunda, tão bem consolidada, tão mais sólida, por muito que o talento já fosse transbordante no primeiro volume. As respostas às dúvidas que o primeiro livro suscitou vão surgindo de modo a manter o leitor interessado, vidrado nas páginas, que parecem voar! Quis tanto acabá-lo e agora foi-se-me.. que hei-de eu ler cujo entusiasmo se compare?
As personagens – a Raquel, fragilizada pelos acontecimentos do primeiro volume, a Ana, que “renasceu” para o mundo sob outro prisma, a Carla, que finalmente começa a questionar o chão que pisa, as nuvens por onde caminha… não foram esquecidas. E, para meu deleite, surge, com mais destaque, um vampiro descontraído e sedutor que me pôs de faróis atentos durante toda a leitura.
O que vos posso prometer? Novas explicações sobre este mundo sobrenatural que saiu da cabeça da nossa querida Andreia Ferreira. Romance – um novo, inesperado e arrebatador romance, cujo futuro quero desesperadamente conhecer no III volume da trilogia! Revelações – a maior delas todas, inesperada, que me deixou boquiaberta quando a autora fechou a obra com chave de ouro… Oh, o meu apetite pelo “Soberba Ilusão”, é assim que se chamará, não é? Está tão aguçado…!
A Andreia é tão jovem e, no entanto, vê-se o dedo de uma mulher do Norte aqui! Ela não se coíbe de ser cruel, explícita, maliciosa, irónica, divertida. Aprecio o humor negro de algumas personagens, todas elas tão bem delineadas e distinguidas neste livro que é, quase todo ele, um mergulho a fundo na consciência do que é real e no que é ilusão e, garanto-vos… de facto é soberba esta tentação que lhe empresta o nome…
Fico-me por aqui, com novos parabéns à autora. É maravilhoso que tenha sido a Andreia Ferreira, com um género que estava longe de entrar no meu campo de interesse literário, a reconciliar-me com os autores portugueses?
Recomendo vivamente.
Classificação: 5*****"
SOBERBA ESCURIDÃO - BLOGUE CASTELOS DE LETRAS
"Tenho imensa coisa para dizer a respeito desta primeira obra da Andreia Ferreira. Antes de mais, permitam-me clarificar um ponto: eu e a autora partilhamos a mesma editora, mas não temos contrato algum de bajulação mútua. Que isso fique claro, até porque ela é uma mulher do norte sem papas-na-língua e eu também tenho costela do Norte. Enfrentámo-nos ao vivo e a cores na Feira do Livro de Lisboa, no passado dia 6 de Maio, e o compromisso foi de que lhe daria a minha opinião sincera. Ela estava com receio de que não fosse favorável – porque o sobrenatural não é o meu género, nem nunca li nada se não agora A Guerra dos Tronos – e eu estava aterrorizada com a possibilidade de não gostar do livro e não saber como dizer-lho. “Er…, dou-lhe um três e depois digo que está muito bem escrito mas não gosto destas coisas”, era esse o meu plano b), se não tivesse gostado da obra. O que, como vêm pelas cinco estrelinhas a cintilar a vermelho, não foi o caso.
Esta classificação espelha a minha redenção face ao cepticismo e também a minha estupefacção quando fechei o livro, há minutos. É uma lição de humildade e de mente aberta. Quando, por volta de Junho do ano passado, tomei conhecimento da existência deste livro no catálogo de obras da Alfarroba pensei: que péssimo, a febre dos vampiros chegou a Portugal. E que sabia eu dos vampiros ou deste género literário? Exactamente, nada. Fiz logo o quadro todo em mente: a autora devia ser uma adolescente que vivia na lua (e, se vive na lua agora sei que é no bom sentido!) e que era maluca pelo Crepúsculo e tinha copiado a história, mais coisa menos coisa. Os preconceitos - pré-conceito -surgem em relação aos assuntos mais inesperados, e assim me apercebi de como estava a julgar erradamente alguém pelo seu gosto de leitura/escrita. Mas isso passou-se há um ano atrás, e entretanto a Andreia tem-me vindo a dobrar. Primeiro com a sua simpatia e prontidão, depois e definitivamente com a sua obra.
Qual foi o meu banho de cair no real quando comecei a falar com a Andreia e descobri que é uma adulta responsável – jovial, divertida e tagarela – que, de facto, vive na lua e sorve daí a sua inspiração e daí lhe advém o talento. Vou roubar as palavras da própria em relação a mim: Quando há talento, há! E encontrei-o logo desde o princípio do livro. Às primeiras palavras tornou-se óbvio que ela não tem necessidade de se esforçar – é-lhe inato, vêm-se trechos que só podem advir de uma espontaneidade fluída que é o que consolida os bons escritores, os escritores de gema. A primeira parte do livro (aí até à página cem) é, de facto, um pouco difícil de desbastar. Isto porque a narração é fluída, com laivos de bom humor, e espelha muito bem – melhor do que bem, através de expressões idiomáticas – a essência do povo português. Da família portuguesa – sobretudo da mãe portuguesa, que quase “aterroriza” esta adolescente, a Carla, como as nossas mães e avós nos aterrorizam a nós com a hora do deitar e a pressa do levantar e os “ó filha isto” e “ó filha aquilo”. Foi muito português de Portugal, e adorei essa faceta da história. Li, nalguns comentários, que as referências da Andreia lhe eram demasiado familiares. Bom, para mim foi tudo um terreno novo. Exceptuando o Harry Potter, os meus livros favoritos retratam realidades invulgares e enriquecedoras – mas realidades. Ia convencida de que ia ler um “monte de clichés” sobre vampiros, mas levei outra bofetada quando me dei conta de que o livro aborda toda esta temática de um modo muito mais original. Embora se saiba que o livro é do género sobrenatural, houve ali algumas explicações, em certas alturas, sobre a existência e realidades paralelas, que fizeram um sentido estrondoso. Não digo que rocem uma possibilidade real, mas são extensões complexas demasiado amplas, raciocínios bem estruturados. Não sei se toda aquela arrumação das criaturas e dos seus mundos/realidades, misticismos e etc., encontra par em outras obras do género, mas se for esse o caso foram bem aplicadas. Se não for, muitos parabéns, Andreia, por teres inventado um mundo com contornos palpáveis.
Apesar de já conhecer a autora, consegui desligar-me dela ao ler o livro, o que espelha o quão bom ele é, o quão bem ele flui nas minhas mãos. Quando conheço o autor e leio a sua obra é como se bebesse as palavras dos seus lábios, como se o visse sentado a criar a história. Mas a Andreia não – não estava em lado nenhum. A Carla é a Carla e o livro é o livro, e ela é somente a criadora. Conseguiu criar algo de que gosta tanto completamente desprendido de si. As palavras são acessíveis, há momentos que me puseram de nervos em franja, outros que me enterneceram (o romance está super bem explorado embora a Carla o viva com alguma imaturidade, gostaria de tê-la visto resistir ao jeitosão com mais afinco, de início, talvez ser um pouco mais desconfiada), e houve momentos em que me segurei para não me pôr às gargalhadas. A Ana é, sem dúvida, a minha favorita. Gostei muito da panóplia geral de personagens e, sobretudo, da coesão que lhes deste.
Como digo, um livro é um exercício de arquitectura e a Andreia soltou pontas ali e uniu-as aqui e ainda deixou margem para muito andamento no “Soberba Tentação”, que sai para Julho. Vou ter que penar muito até ler o segundo e, mais ainda, até ler o terceiro!
Para terminar gostava de dizer algo que acho que também já li algures em relação a esta autora e à sua obra, e que não pensei vir a concordar mas que de facto concordo com sinceridade: se fosse no estrangeiro teria inúmeras portas abertas e seria um sucesso enorme instantâneo. Criar-se-iam clubes de fãs com números enormes e, quem sabe, far-se-iam filmes e franchisings. Além de um bom enredo tens boas palavras, bem escolhidas, e às vezes isso é o mais difícil. Dar substância a uma história sem se ser pretensioso, nem aborrecido, nem maçador.
Cá fico, entristecida, com dois meses pela frente à espera da continuação…!
Classificação: 5*****"
Subscrever:
Mensagens (Atom)








